Crónica de uma sexta-feira de desilusão
São 4 da tarde e como sempre as irónicas desculpas do costume provam-se uma vez mais. Se alguma coisa tem de ser feita, fa-la tu, se esperas pelos descabidos esforços dos outros nunca a procissão sai do adro.
De qualquer das formas o optimismo vence, sempre. Sempre até as forças se colapsarem em mesquinhices destas. Queixumes de pessoas que têm coisas mais importantes para fazer.
São 6 da tarde e o optimismo, a força glorificam-se sobre as cinzas dum funeral no qual a morte não foi a vencedora. A união, os gritos esperançosos, abraços, toques discretos de intimidade e cumplicidade. A forma positiva de continuar a olhar o inimigo nos olhos e uma e outra vez lhe gritar palavras de desdem e compaixão de quem espera um mundo melhor. Rios correm de mão em mão, conversas de velhos amigos, ou novos conhecidos. É um calor que nos faz sentir aninhados numa humanidade cada vez menos humana. São os momentos que nos põem um sorriso na cara e nos aconchegam o coração nesta caixa de ossos frios. Se calhar é por isso que não há a plenitude de outros tempos, inocentes. A congregação nem ao fim chegou e as paredes começam-se logo, depressa a fechar, como se me quisessem cuspir de novo para este antro que tão bem me conhece. Os rios secam e as conversas cessam, mas ainda o meu espírito luta por um raio de sol que distraia de tempos tao negros. Em pouco menos de meia hora as paredes tornam-se frias, os abraços e cumplicidades um adeus melancólico e desinteressado.
Saio e vagueio de cigarro no canto da boca, uma cerveja de litro na mão e uma bandeira vermelha e preta que ainda me protege, pelo menos por agora, da chuva.. Ouço o som das bategas a baterem-me nos costados mas não me importo, a desilusão instala-se cada vez mais como uma nódoa que insiste em usurpar as verdadeiras cores de mim. Sento-me onde um dia, nos velhos tempos vivi.
Interrompo a escrita porque alguma coisa pisca na minha barra de tarefas, continua a ser só publicidade..
Os velhos tempos, em que nos sentavamos todos, horas a fio a conversar sobre um garrafão de compreenção e amizade. Lá fiquei, a uns metros um desses grupos aninhava-se debaixo de dois guarda chuvas pretos, eu não, a chuva intensificava o meu estado, e eu não me importava. Acabei o segundo cigarro e decidi andar, não sei para onde, nem com esperanças de ver quem fosse que me salvasse daquele fim miseravel. Olhei para a garrafa, só lhe tinha roubado uma meia dúzia de golos. Decidi não ser menino e fazer o que me mandava a consciência, virei confiantemente o vasilhame e dei-lhe dois valentes tragos. Imediatamente uma revolta assombrou-me o interior, pousei a garrafa na calçada molhada e ao som da chuva vomitei de solidão.
(Em escuta Ekkaia - El Límite de la Humanidad - Ya Hemos Aguantado el Sermon, Ahora lo Destrozaremos)
domingo, fevereiro 21, 2010
Soa uma palavra tão nojenta tão desprezivel.
Soa uma palavra tão nojenta tão desprezivel, mas quão desprezivel é o valor de ser cego? De ser tão desprezivelmente cego que roemos as pontas dos dedos para sentir a dor de quem tem um coração de pedra. Coração de pedra, olhos de vidro e consciência de nada. Ser capaz de olhar e não ver, como se o vidro fosse fosco e o cérbero uma amalgama de procupações vãs. Como é que pode haver luz sem sol? Como é possivel haver Sol sem humanidade? Como é possivel haver no meio disto tudo a ignorância de não querer saber que amanhã seremos nós a receber os dividendos do que plantámos, quem planta vento colhe tempestades, mas o meu terreno está infértil, seco, subnutrido.. Nem uma rabanadazinha se atreve a alçar, apenas o árido da abstinência continua a envolver-me e vence vence vence. Vence-me a mim e aos meus, os meus que não são de ninguém, que nem deles próprios, infiéis a eles próprios presos na rede abstracta.
(Mais Tarde nesse mesmo dia)
Vinte anos, nunca ficou menos amarga a noção de não ter nada, perco-me em epitáfios súbitos e esclarecedores mas nenhuma palavra é fiel ao que se me assombra. Ravia, desprazer, a vontade de agradar mas não poder. Não posso olhar e aceitar o sorriso amarelo que tento ter e mesmo assim roi-me esta vontade de tentar entrar nesta batalha que nunca ganho. Nunca posso ganhar porque para ganhar tem de haver um perdedor, não é isso que quero, quero entendimento. Respeito por quem sou, pelo que sou e pelo que espero que sejam.
Vinte anos e parece que ainda hoje não passo de um embrião aos olhos severos e doces de quem não me compreende. É a doçura que mais doi? Não sei, mas o frio envermelhece as minhas mão que continuam a tentar arrebatar as palavras de mim e ainda assim não me satisfaço.
Vinte anos e os valores que partilhamos eu e tu continuam a ser despedaçados pelo nexo estranho de alguma coisa que não se quer definir. Lágrimas são inuteis agora, eu te digo, essa coisa que insistes ser não me agrada e tenho dito, não há a estabilidade para o amor e não há nada que mais me custe que uma batalha infrutífera. Em tempos o silêncio apaziguou-me o fantasma até que mais uma argolada insistiu em me desconfortar. Lágrimas são inuteis, porque o que verdadeiramente representam é o desalento que se abate.
Quero-te, mas não posso deixar que isto aocnteça e perdoa-me a minha falta de jeito. É a tua sinceridade que mais me doi, a minha incapacidade de lutar até ao limite. E no fundo às vezes é tudo tao ridiculamente simples e sou eu que baralho e complico, quase que sinto que fui eu que criei esta onda de agonia.
Desculpa
(Escrito a 15 Fev. 2010)
(Em escuta Ekkaia - Buscando Respuestas con Perguntas - Ya Hemos Aguantado el Sermon, Ahora lo Destrozaremos)
(Mais Tarde nesse mesmo dia)
Vinte anos, nunca ficou menos amarga a noção de não ter nada, perco-me em epitáfios súbitos e esclarecedores mas nenhuma palavra é fiel ao que se me assombra. Ravia, desprazer, a vontade de agradar mas não poder. Não posso olhar e aceitar o sorriso amarelo que tento ter e mesmo assim roi-me esta vontade de tentar entrar nesta batalha que nunca ganho. Nunca posso ganhar porque para ganhar tem de haver um perdedor, não é isso que quero, quero entendimento. Respeito por quem sou, pelo que sou e pelo que espero que sejam.
Vinte anos e parece que ainda hoje não passo de um embrião aos olhos severos e doces de quem não me compreende. É a doçura que mais doi? Não sei, mas o frio envermelhece as minhas mão que continuam a tentar arrebatar as palavras de mim e ainda assim não me satisfaço.
Vinte anos e os valores que partilhamos eu e tu continuam a ser despedaçados pelo nexo estranho de alguma coisa que não se quer definir. Lágrimas são inuteis agora, eu te digo, essa coisa que insistes ser não me agrada e tenho dito, não há a estabilidade para o amor e não há nada que mais me custe que uma batalha infrutífera. Em tempos o silêncio apaziguou-me o fantasma até que mais uma argolada insistiu em me desconfortar. Lágrimas são inuteis, porque o que verdadeiramente representam é o desalento que se abate.
Quero-te, mas não posso deixar que isto aocnteça e perdoa-me a minha falta de jeito. É a tua sinceridade que mais me doi, a minha incapacidade de lutar até ao limite. E no fundo às vezes é tudo tao ridiculamente simples e sou eu que baralho e complico, quase que sinto que fui eu que criei esta onda de agonia.
Desculpa
(Escrito a 15 Fev. 2010)
(Em escuta Ekkaia - Buscando Respuestas con Perguntas - Ya Hemos Aguantado el Sermon, Ahora lo Destrozaremos)
Bem Vindo
Este blogue nasce de novidade alguma, de qualquer tipo de mudança ou algum acaso feliz ou infeliz que ele seja. Apeteceu-me ter uma plataforma para condensar o que escrevo, sejam delírios, desabafos conscientes ou as revoltas mais inconsequentes que se me assombrem.
É no fundo mais do mesmo nesta rede global da solidão.
Todos são livres de ler, comentar, agredir, ridicularizar, elogiar, copiar ou arruinar. Não me interessa muito. Não me interessa muito, mas interessa pois claro.
Bem haja.
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