domingo, fevereiro 21, 2010

Soa uma palavra tão nojenta tão desprezivel.

Soa uma palavra tão nojenta tão desprezivel, mas quão desprezivel é o valor de ser cego? De ser tão desprezivelmente cego que roemos as pontas dos dedos para sentir a dor de quem tem um coração de pedra. Coração de pedra, olhos de vidro e consciência de nada. Ser capaz de olhar e não ver, como se o vidro fosse fosco e o cérbero uma amalgama de procupações vãs. Como é que pode haver luz sem sol? Como é possivel haver Sol sem humanidade? Como é possivel haver no meio disto tudo a ignorância de não querer saber que amanhã seremos nós a receber os dividendos do que plantámos, quem planta vento colhe tempestades, mas o meu terreno está infértil, seco, subnutrido.. Nem uma rabanadazinha se atreve a alçar, apenas o árido da abstinência continua a envolver-me e vence vence vence. Vence-me a mim e aos meus, os meus que não são de ninguém, que nem deles próprios, infiéis a eles próprios presos na rede abstracta.
(Mais Tarde nesse mesmo dia)
Vinte anos, nunca ficou menos amarga a noção de não ter nada, perco-me em epitáfios súbitos e esclarecedores mas nenhuma palavra é fiel ao que se me assombra. Ravia, desprazer, a vontade de agradar mas não poder. Não posso olhar e aceitar o sorriso amarelo que tento ter e mesmo assim roi-me esta vontade de tentar entrar nesta batalha que nunca ganho. Nunca posso ganhar porque para ganhar tem de haver um perdedor, não é isso que quero, quero entendimento. Respeito por quem sou, pelo que sou e pelo que espero que sejam.
Vinte anos e parece que ainda hoje não passo de um embrião aos olhos severos e doces de quem não me compreende. É a doçura que mais doi? Não sei, mas o frio envermelhece as minhas mão que continuam a tentar arrebatar as palavras de mim e ainda assim não me satisfaço.
Vinte anos e os valores que partilhamos eu e tu continuam a ser despedaçados pelo nexo estranho de alguma coisa que não se quer definir. Lágrimas são inuteis agora, eu te digo, essa coisa que insistes ser não me agrada e tenho dito, não há a estabilidade para o amor e não há nada que mais me custe que uma batalha infrutífera. Em tempos o silêncio apaziguou-me o fantasma até que mais uma argolada insistiu em me desconfortar. Lágrimas são inuteis, porque o que verdadeiramente representam é o desalento que se abate.
Quero-te, mas não posso deixar que isto aocnteça e perdoa-me a minha falta de jeito. É a tua sinceridade que mais me doi, a minha incapacidade de lutar até ao limite. E no fundo às vezes é tudo tao ridiculamente simples e sou eu que baralho e complico, quase que sinto que fui eu que criei esta onda de agonia.
Desculpa

(Escrito a 15 Fev. 2010)
(Em escuta Ekkaia - Buscando Respuestas con Perguntas - Ya Hemos Aguantado el Sermon, Ahora lo Destrozaremos)

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